domingo, 17 de março de 2013

"Mãe de Chiqueiro"

Olá, pessoas queridas!
Faz algum tempo que não escrevo nada, né? É que eu estava com a cabeça muito "cheia" de informações: em dezembro terminei a pós em Educação de Jovens e Adultos, e logo depois emendei na seleção do mestrado(que ainda não foi dessa vez...). 
Mas agora aqui estou eu novamente e trazendo mais uma experiência do meu "mundo crentês".

Hoje, participando de uma reunião para a construção de um evento referente ao Março Mulher e o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, em um determinado momento parei para conversar com duas irmanzinhas negras e  crentes, sobre a a representação social do negro e, em especial, do negro evangélico. E em algum momento da nossa conversa, uma delas se referiu a uma Yalorixá como "mãe de chiqueiro". Eu já tinha ouvido esse termo outras vezes e sempre me senti encomodada, porque entendo que isso faz parte do processo da colonização e escravidão africana pelos europeus. Porém, hoje eu fiz minha intervenção bem contextualizada, e perguntei por que não nos referíamos a outros líderes religiosos, a exemplo de espíritas e católicos da mesma forma que tratamos os líderes religiosos do candomblé? Por que tanta falta de respeito para com essas pessoas? Será que era porque é uma religião de matriz africana, portanto praticada por alguns negros? E que tudo o que é de negro não merece respeito? E elas não souberam me responder. Eu estava diante de duas mulheres negras que não sabiam nada sobre sua história, portanto não tinham identidade racial.
Então perguntei para as duas qual a origem dos primeiros africanos que aportaram no Brasil para exercerem trabalho escravo? De quais países vieram? E elas não souberam responder. Então perguntei por que sabíamos de vários relatos bíblicos sobre a genealogia  de Abrão, Isaque e Jacó, e não sabíamos do nosso?
Falei para elas do quão perigoso é nos reportarmos dessa maneira para assuntos que não conhecemos. De que podemos discordar, mas que temos o dever de respeitar o credo religioso do outro. Mas principamente que devemos nos alertar do quão preocupante é quando vemos tudo o que vem ou nos remete a África, ser desqualificado.
Também perguntei se Jesus agiria dessa forma: derespeitando e desqualificando a cultura africana, e exaltando e enaltecendo a cultura europeia. Seria Jesus xenofóbico ou racista?
Nesses momentos sempre aproveito para falar sobre o exterminio da juventude negra e o silêncio das Igrejas Evangélicas. Também ninguém consegue me responder.
Já falei que não sou ecumênica, mas que Deus tem me dado sabedoria para dialogar com as pessoas e respeitá-las independente do seu credo religioso.


Fica a dica.

"E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ". (Jo. 8.32)


Gicélia Cruz

Um comentário:

  1. Muito pertinente todo o seu comentário! Sempre vi outros crentes se referirem dessa mesma maneira me causava a mesma estranheza!! Com certeza Jesus não usaria jargões esteriotipados como este... Tais colocações só nos leva a dar continuidade a um discurso de intolerância e discriminação, redundando em falta de respeito ao outro e muita falta de amor! Não Posso me referir ao meu próximo de maneira tão desprezível, Deus não aprova essas atitudes gratuitas.

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