Olá, pessoal!
Mais um projeto da Associação Cultural da Diáspora Africana, em comemoração ao Dia da África.
Esse blog é para compartilhar experiências vividas por negras e negros que, na Diáspora Africana no Brasil, passaram a professar a fé protestante. Vivências na área da religiosidade, educação, política e afins, podem e devem ser compartilhadas afim de que possamos refletir sobre o crescente número de negros que se dizem evangélicos.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
sábado, 7 de março de 2015
O escândalo da Petrobrás e a Questão Racial
O escândalo da Petrobrás e a Questão Racial
Tenho observado que em meio a tudo o que se tem divulgado sobre a Operação Lava-Jato, até o momento não apareceu nenhum personagem negro. Ai eu comecei a me perguntar: por que será, já que somos a maioria da população? Então vamos pensar um pouco:
Tenho observado que em meio a tudo o que se tem divulgado sobre a Operação Lava-Jato, até o momento não apareceu nenhum personagem negro. Ai eu comecei a me perguntar: por que será, já que somos a maioria da população? Então vamos pensar um pouco:
O negro escravizado, foi responsável pela produção econômica do Brasil. Porém, mesmo depois da abolição da escravidão, ele continuou sem direitos civis básicos para exercer com dignidade sua cidadania, como: trabalho, moradia, educação e saúde. Sendo assim, quase nunca ocupou espaços de poder.
Hoje, observo que, independente de partido politico, o racismo institucional barra a ascensão do negro nos altos cargos das estatais. Se você procurar rever imagens da posse de dos presidentes Lula e Dilma, a única imagem de negro que vemos, é a que vai assumir a SEPPIR. E ainda tem gente que me diz: "Gicélia, essa situação já foi pior". E eu fico sem palavras, de tão indignada...
Sendo assim, podemos observar o que várias pesquisas apontam referente a pirâmide socioeconômica brasileira, no quesito cor/raça:

http://historiaemerson.blogspot.com.br/2013_11_01_archive.html
Os negros não são mais honestos que os brancos, pois se lá estivessem, certamente cometeriam os mesmo atos. Questiono o racismo perverso que assola o Brasil, onde até mesmo nesses momentos vergonhosos, percebemos na mão de quem a economia e, consequentemente o poder, estão concentrados.
Gicélia Cruz
E NÃO VOS CONFORMEIS COM ESSE MUNDO, MAS TRANSFORMAI-VOS PELA RENOVAÇÃO DE VOSSAS MENTES.(Rm 12.2)
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Participando do evento Entrega de prêmio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica (SDH/PR),
Movimento de População em Situação de Rua de Salvador completa três anos. Maria do Rosário é homenageada
http://www.sdh.gov.br/noticias/2013/marco/movimento-de-populacao-em-situacao-de-rua-de-salvador-completa-tres-anos.-maria-do-rosario-e-homenageada
Maria do Rosário é homenageada pelo Movimento de População em Situação de Rua
25/03/2013
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica (SDH/PR), foi homenageada em salvador, na última sexta-feira (22), pelo Movimento de População em Situação de Rua da capital baiana. Na ocasião, o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Gabriel dos Santos Rocha, representou a ministra e recebeu o certificado de gratidão, comenda que marca o aniversário de três anos de fundação do movimento.
Ao receber o certificado em Brasília, a ministra Maria do Rosário agradeceu ao movimento pelo reconhecimento e reafirmou o seu compromisso com a defesa dos direitos desta população. A ministra lembrou que a SDH/PR possui uma secretaria exclusiva para tratar do tema.
Durante o evento, foram debatidos temas relacionados às políticas públicas para a população em situação de Rua no estado e também sobre a história, lutas e desafios do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR).
Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial – Na quinta-feira (21), ainda em Salvador, a diretora do Departamento de Defesa dos Direitos Humanos, Deise Benedito, proferiu uma palestra sobre o extermínio de Jovens negros e da população em situação de rua. A diretora participou das comemorações do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, comemorado pelo Instituto da Mulher Negra em parceria com o Fórum Nacional de Mulheres Negras e a Rede de Mulheres Pelo Fortalecimento do Controle Social.
Também participaram do evento a Ouvidora Geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, Tânia Palma, a presidente da Comissão da Mulher da OAB, Andréa Marques, a Coordenadora do Movimento Nacional de População em Situação de Rua, Maria Lúcia Pereira, e a Coordenadora do Fórum Nacional de Mulheres Negras, Gicélia da Cruz.
Assessoria de comunicação Social.
Participando do Projeto Tarde Legal
Banda Eva faz show para alunos da rede municipal no projeto Tarde Legal
Publicada em 24/09/2014 18:53:19
Foto: Divulgação
Duzentos alunos da rede municipal de ensino tiveram uma tarde muito especial nesta quarta-feira (24/9). Os estudantes do 6º ao 9º ano de seis escolas participaram da primeira edição do Projeto Tarde Legal, realizado pela Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico da Secretaria Municipal da Educação - SMED, no Teatro Solar Boa Vista.
O objetivo da ação, que teve como convidado especial Felipe Pezzoni, líder da Banda Eva, é promover debates sobre assuntos do cotidiano dos jovens e proporcionar momentos de cultura e lazer.
Após o bate-papo, os alunos curtiram um show especial do grupo musical. Além do cantor, também participaram da roda de conversa Gicélia Cruz, coordenadora pedagógica de dois projetos educacionais da rede, e Anderson Oliveira, Jovem Aprendiz da SMED.
Todos relataram suas trajetórias e metas futuras, mostrando que mesmo seguindo caminhos diferentes, é possível trilhar histórias de sucesso. Os alunos também participaram do sorteio de dois abadás do Bloco Eva.
Pezzoni relatou que percorreu um longo caminho até chegar ao grupo. “Comecei a cantar muito cedo, mas sempre trabalhei e estudei. Em épocas que não conseguia me sustentar com a música, trabalhei de operador de telemarketing, já vendi tijolos, cursei faculdade de Gestão em Eventos e me arrependi de não ter terminado, porque mesmo sabendo que meu destino é a música, a Educação sempre é o caminho”, disse, acrescentando a preocupação social do Grupo Eva. “Fazemos trabalhos muito bacanas neste sentido, pro isso ficamos muito felizes em participar do projeto”, concluiu.
“Foi uma experiência grandiosa para a história de cada jovem presente poder ouvir pessoas que através de caminhos diferentes, tiveram histórias de sucesso. Os relatos com certeza serviram de exemplos positivos para os jovens. Educação não se faz apenas dentro dos muros das escolas e momentos como este interferem diretamente na sala de aula e na vida desses alunos. Estamos muito felizes com o resultado”, comemorou Edna Rodrigues, coordenadora de Ensino e Apoio Pedagógico da SMED.
Algumas reflexões...
Quero compartilhar algumas coisas que já ouvi sobre questão racial.
- Certa vez uma amiga me disse: Gicélia, ainda que eu seja solidária com a questão racial, eu jamais saberia realmente o que você passa, pois eu não sou negra. Achei interessante esssa afirmação.
- Um colega de trabalho me disse que só se percebeu branco, depois que passou a trabalhar comigo. Pois até então, ele tinha a ideia do senso comum de que todos somos iguais; que era beobagem esse negócio de preto e branco. Trabalhando com jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica e lendo estatísticas sobre esse grupo, ele foi percebendo que só trabalhávamos com o público negro.
- Ou quando estou fazendo palestras onde abordo a questão de gênero e raça, e algumas mulheres não negras insistem em dizer que " as mulheres brancas e negras, atualmente, estão em situação de igualdade". Então eu mostro que, através de dados do IPEA e IBGE, nós mulheres negras ganhamos 45% do salário do homem branco.
- Por trabalhar com juventude, entendo que preciso me informar sobre o que acontece nesse segmento: educação, saúde, segurança, cultura, etc. Mas procuro enfatizar o extermínio da juventude negra. Então, quando sai alguma reportagem sobre o Mapa da Violência no Brasil, as pessoas me dizem: Gicélia, lembrei logo de você! E eu me pergunto: por que será que nossos jovens negros são invisilizados?
Obrigada, Senhor Deus, por não me deixar conformar com esse mundo que está posto. Mas que eu possa ter minha mente renovada a cada dia para ser útil aos que estão ao meu redor.
Amém!!!!
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
21 de Janeiro: Dia lerância Nacional de Combate a Intolerância Religiosa
Olá, queridas e queridos!
Sumi um pouco, mas espero agora estar mais presente. Foram várias as demandas de final de ano. Além das palestras, também estava coordenando o 2º Seminário Nacional Educadores Evangélicos e Aplicação da Lei 10639/03.
Mas graças à Deus que deu tudo certo.
Mas vamos à reflexão sobre esse dia em que paramos para refletir sobre o não respeito a religião do outro.
E para quem não se lembra, esse movimento intensificou-se quando a Igreja Universal do Reino de Deus, numa atitude altamente desrespeitosa, usou a imagem de uma Yalorixá baiana, para desqualificar os candomblecistas. Eu me lembro que quando li a matéria, sabia que aquilo não iria prestar. E não deu outra. Processo para cima da IURD.
No decorrer das acusações, eu comecei a pensar que, para além da intolerância religiosa, também percebíamos a questão de raça e gênero, pois eles utilizaram a imagem de uma mulher negra para cometer o ato injusto.
Agora também preciso colocar meu pesar, pois já passei por algumas situações delicadas dentro do Movimento Negro, aqui em Salvador.
a) Certa vez fui convidada à ministrar palestra na Secretaria Municipal da Reparação, sobre o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial(21 de Março). Já na mesa, sentada ao meu lado, uma líder do movimento, procurava à todo tempo desfazer da minha fala(situação super chata). Depois, quando terminei a palestra, o anfitrião me parabenizou, e disse que um amigo dele que era de terreiro, ao chegar e me ver palestrando, disse que não ficaria para o evento, pois não queria ouvir "aquela evangélica falar."
b) Numa aula do mestrado, ao participar da aula eu estava tecendo um cometário, quando o colega, do nada, veio me criticar falando que: "vocês evangélicos pegam nossas iguarias e colocam o nome de Bolinho de Jesus". Eu fiquei sem entender o por quê daquele comentário fora de contexto. Se fosse no momento apropriado, eu teria dito que a maioria dos negros evangélicos não conhece sua história, e que, portanto, ainda não tem sua identidade racial trabalhada de forma positiva.
c) Em cursos promovidos por órgãos públicos já tive o desprazer de ouvir professores, no meio de um assunto, começar a desqualificar os evangélicos. E lá vou eu me defender no meio de uma sala com mais de 60 pessoas. Óbvio que tinham outros crentes, mas fica todo mundo calado, mas eu não consigo, e faço minhas colocações, inclusive exigindo respeito.
d) Ao participar da abertura de agenda de um órgão público, o dirigente, no auge do seu discurso, diz que, se dependesse dele, "mandava fechar todos os templos evangélicos e transformava num espaço cultural". Quando ele terminou de falar, me aproximei dele, identifiquei-me enquanto mulher negra, batista e do movimento negro, e disse que na platéia também tinham evangélicos, e que suas palavras insultavam a intolerância religiosa. Ele ficou sem graça e me pediu desculpas.
Evidente que ao fazer esses relatos, não estou querendo apagar todos os absurdos que alguns líderes que se declaram evangélicos, já praticaram contra outros credos que não o dele.
Eu sei exatamente qual o discurso de intolerância, muitas vezes agressivo, que já passearam nos nossos arraiais religiosos. Hoje, por medo de serem processados, as práticas do não respeito a diversidade religiosa, tem diminuído, principalmente contra o candomblé.
Mas o que eu quero dizer mesmo é que devemos ter cuidado, pois tenho percebido que o estado, em algumas situações, tem deixado de ser laico, e que muitas vezes utiliza verbas públicas promovendo ações que incitam, também, a Intolerância Religiosa.
Estava com saudades das minhas reflexões....
"E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará". (Jo 8.32)
Sumi um pouco, mas espero agora estar mais presente. Foram várias as demandas de final de ano. Além das palestras, também estava coordenando o 2º Seminário Nacional Educadores Evangélicos e Aplicação da Lei 10639/03.
Mas graças à Deus que deu tudo certo.
Mas vamos à reflexão sobre esse dia em que paramos para refletir sobre o não respeito a religião do outro.
E para quem não se lembra, esse movimento intensificou-se quando a Igreja Universal do Reino de Deus, numa atitude altamente desrespeitosa, usou a imagem de uma Yalorixá baiana, para desqualificar os candomblecistas. Eu me lembro que quando li a matéria, sabia que aquilo não iria prestar. E não deu outra. Processo para cima da IURD.
No decorrer das acusações, eu comecei a pensar que, para além da intolerância religiosa, também percebíamos a questão de raça e gênero, pois eles utilizaram a imagem de uma mulher negra para cometer o ato injusto.
Agora também preciso colocar meu pesar, pois já passei por algumas situações delicadas dentro do Movimento Negro, aqui em Salvador.
a) Certa vez fui convidada à ministrar palestra na Secretaria Municipal da Reparação, sobre o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial(21 de Março). Já na mesa, sentada ao meu lado, uma líder do movimento, procurava à todo tempo desfazer da minha fala(situação super chata). Depois, quando terminei a palestra, o anfitrião me parabenizou, e disse que um amigo dele que era de terreiro, ao chegar e me ver palestrando, disse que não ficaria para o evento, pois não queria ouvir "aquela evangélica falar."
b) Numa aula do mestrado, ao participar da aula eu estava tecendo um cometário, quando o colega, do nada, veio me criticar falando que: "vocês evangélicos pegam nossas iguarias e colocam o nome de Bolinho de Jesus". Eu fiquei sem entender o por quê daquele comentário fora de contexto. Se fosse no momento apropriado, eu teria dito que a maioria dos negros evangélicos não conhece sua história, e que, portanto, ainda não tem sua identidade racial trabalhada de forma positiva.
c) Em cursos promovidos por órgãos públicos já tive o desprazer de ouvir professores, no meio de um assunto, começar a desqualificar os evangélicos. E lá vou eu me defender no meio de uma sala com mais de 60 pessoas. Óbvio que tinham outros crentes, mas fica todo mundo calado, mas eu não consigo, e faço minhas colocações, inclusive exigindo respeito.
d) Ao participar da abertura de agenda de um órgão público, o dirigente, no auge do seu discurso, diz que, se dependesse dele, "mandava fechar todos os templos evangélicos e transformava num espaço cultural". Quando ele terminou de falar, me aproximei dele, identifiquei-me enquanto mulher negra, batista e do movimento negro, e disse que na platéia também tinham evangélicos, e que suas palavras insultavam a intolerância religiosa. Ele ficou sem graça e me pediu desculpas.
Evidente que ao fazer esses relatos, não estou querendo apagar todos os absurdos que alguns líderes que se declaram evangélicos, já praticaram contra outros credos que não o dele.
Eu sei exatamente qual o discurso de intolerância, muitas vezes agressivo, que já passearam nos nossos arraiais religiosos. Hoje, por medo de serem processados, as práticas do não respeito a diversidade religiosa, tem diminuído, principalmente contra o candomblé.
Mas o que eu quero dizer mesmo é que devemos ter cuidado, pois tenho percebido que o estado, em algumas situações, tem deixado de ser laico, e que muitas vezes utiliza verbas públicas promovendo ações que incitam, também, a Intolerância Religiosa.
Estava com saudades das minhas reflexões....
"E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará". (Jo 8.32)
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Assinar:
Postagens (Atom)


.jpg)
.jpg)