terça-feira, 31 de dezembro de 2013

UM 2014 ABENÇOADO PO DEUS




OLHO PARA OS MONTES E PERGUNTO:
"DE ONDE VIRÁ O MEU SOCORRO?"
O MEU SOCORRO VEM DO DEUS ETERNO, QUE FEZ O CÉU E A TERRA.
ELE NÃO DEIXARÁ QUE VOCÊ CAIA, POIS O SEU PROTETOR ESTÁ SEMPRE ALERTA.
O PROTETOR DO POVO DE ISRAEL NUNCA DORME NEM COCHILA.
O DEUS ETERNO GUARDARÁ VOCÊ; ELE ESTÁ SEMPRE AO SEU LADO PARA PROTEGÊ-LO.
O SOL NÃO LHE FARÁ MAL DE DIA, NEM A LUA DE NOITE.
O ETERNO O GUARDARÁ DE TODO PERIGO; ELE PROTEGERÁ SUA VIDA.
ELE O GUARDARÁ QUANDO VOCÊ FOR E QUANDO VOLTAR, AGORA E PARA SEMPRE.
(Salmos 121)


Senhor, muito obrigada pelas bênçãos à mim dispensadas durante o ano de 2013. Também agradeço pelas lutas, pois em todas o Senhor me deu vitória. Até no finalzinho de 2013, o inimigo "tentou" macular minha imagem na área profissional, mas o Senhor agiu em minha defesa. Desde 2012 o Senhor tem permitido que eu conheça o que "realmente" significa inveja e falsidade, e o que as pessoas são capazes de fazer para prejudicar outra. Mas o "meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra".

Quero agradecer também por cada pessoa que visitou meu blog. O Senhor sabe que eu não esperava ter tantos acessos;  não imaginava que meus escritos tivessem tanta repercussão.
Recebo muitos elogios, mas também críticas. Isso é bom. Se bem que, eu faço desse blog, um pequeno diário do que vivo no meu "mundo crentês" e também na sala de aula enquanto professora.
Desde o inicio falo que o que eu escrevo não passa por nenhuma orientação acadêmica.

As vezes fico pensando:
Como pessoas do Leste Europeu se interessam pelo  que  eu escrevo?
Alguém na África,  Europa, Estados Unidos também lê. No início fiquei surpresa, depois  vi que a "coisa" foi tomando forma, e fiquei um pouco assustada. Para mim isso tudo ainda é muito novo, mas continuo arriscando em compartilhar minhas experiências.
Rsrsrsrs

Gostaria de me dedicar mais ao blog. Porém, o trabalho não tem permitido. Mas vamos ver o que vai acontecer em 2014.

Que o Senhor Deus, em nome de Jesus Cristo, continue a nos abençoar com saúde e paz durante todo o ano de 2014.

E CONHECEREI A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ.(Jo 8.32)

Gicélia Cruz

sábado, 21 de dezembro de 2013

MEU FILHO VAI SER MORENO, NEGRO NÃO!

OLÁ, PESSOAS QUERIDAS!

DEVIDO A EXTENSA CARGA DE TRABALHO, POUCO ESCREVI DURANTE ESSES ÚLTIMOS MESES. MAS AGORA, COM O RECESSO ESCOLAR,  VOLTAREI A ESCREVER SOBRE MEMÓRIAS/EXPERIÊNCIAS DA MINHA VIDA CRENTÊS E TAMBÉM DA SALA DE AULA.

 A EXPERIÊNCIA ABAIXO É DA SALA DE AULA..

Essa semana, conversando com uma aluna, cujo filho de uns dois meses de idade estava em seu colo, fiz o seguinte elogio: esse menino está um negro lindo! Brinquei também dizendo que "quando crescer, o black dele vai abalar!"
Ai vem a resposta da mãe: Professora, se Deus quiser,  meu filho vai ser "moreno".
Então eu disse: mas minha filha, seu filho já é negro. Mas ela insistia em dizer que quando crescesse, o menino "ficaria moreno".

Eu vi no rosto daquela jovem mãe(ela tem um tom de pele clara), o desespero de ter mais um filho negro, mesmo sendo casada com um homem negro.
Fiquei muito triste e também preocupada com aquela reação de negação; de pavor do SER NEGRO.
Por já ser final de ano( eu estava muito cansada e também foi o dia da troca de presentes entre os/as professores/as), eu, sinceramente, não tive ânimo para conversar com essa mãe do jeito que eu gosto.

Se bem que, durante todo o ano, tive dificuldade em trabalhar questões como identidade racial na sala de aula, pois percebia que os moradores desse  município têm certa dificuldade de se reconhecerem negros. Aplicar a Lei 110639/03 nesses espaços de saber, deve ser nossa meta. Pois desconstruir anos de negação é uma tarefa árdua. Só dois semestres de aula não dão conta de tanto estrago feito nas mentes colonizadas.

OBS:  Eu sou professora de história da EJA, numa cidade do Recôncavo Baiano. Devido ao longo período da escravidão,  a população negra nessa região, chega a quase 100%.

GICÉLIA CRUZ



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

ODEIO XUXA!!!

ESSE FINAL DE SEMANA, EM UMA CONVERSA COM UMA JOVEM NEGRA E SUA MÃE, OUVI A SEGUINTE FRASE: ODEIO XUXA!!
ENTÃO EU PERGUNTEI POR QUE, E A JOVEM FEZ O SEGUINTE RELATO:
"Quando eu era pequena, sonhava em ser paquita. Porém, à medida que o tempo passava, eu percebia que era algo impossível de acontecer,  pois eu não era igual aquelas meninas que estavam no palco com Xuxa. Eu era negra"
A referida jovem disse ter ficado muito frustrada com isso.
Imaginemos o que outras crianças negras ou as que estavam fora do padrão branco europeu, também sofreram com esse programa que alcançava todas as camadas sociais, mas principalmente a camada economicamente mais vulnerável.
Essa mesma jovem também relatou que ao terminar o ensino médio, se matriculou no cursinho mais caro de Salvador e, por não ter a identidade racial construída, procurava se assemelhar o máximo às colegas não negras. O cabelo, segundo ela, era o mais "obsessivamente crucificado", pois era a raiz de todo mal.
Todo esse processo de negação só terminou quando ela foi para um cursinho pré-vestibular que chamamos de Quilombo Educacional, onde ela passou a se reconhecer negra e a valorizar nossa cultura.

Não sei porque esses casos chegam à mim de forma tão natural.
"Juro" que não saio fazendo perguntas à ninguém. As pessoas simplesmente começam a "puxar" assunto a partir de quê? Do meu cabelo. Kkkkkkkk

Por que a vontade do Senhor é boa, perfeita e agradável(Rm 12.2)


                        

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A SAÚDE DA MULHER NEGRA BRASILEIRA


Olá, pessoas queridas!
Gostaria de compartlhar mais uma experência com vocês.:

Em dezembro de 2012, consegui marcar pelo SUS, uma consulta de rotina para o ginecologista, que só aconteceria em fevereiro de 2013. O médico passou alguns exames, dentre os quais o de dosagem  hormonal.
Dia 26.03.2013, procurei o LACEN(Laboratóiode Saúde Públca/Bahia) para fazer os exames, que marcou  o resultado para  02.04.2013.
DETALHE: até hoje, 26.06.2013(90 dias), o exame não ficou pronto. Segundo eles, por falta de material. Também não sabem dizer quando darão o resultado.
Já se passaram quatro(04) meses desde que fui ao médico. Creio que o LACEN só vai entregar o resultado do exame em julho. Depois tenho que marcar a consulta de retorno ao especialista, onde o prazo é de dois(02) meses, no minimo. Talvez esse processo todo leve uns nove(09) meses para ser concluído.
Certamente que quando eu pegar esse resultado, muita coisa já deve ter alterado dentro de mim. Então terei que pagar para fazer os mesmos exames, pois não vou confir num resultado defasado para levar ao médico.
Então penso que existe um esquema montado para nos "exterminar"(as mulheres que não podem pagar por uma consulta), e as que fazem um sacrificio para pagar, enriquece ainda mais os politicos,  que certamente são os donos das clinicas particulares, que fazem os exames que temos dificuldade em fazer pelo SUS.
(PRAGMÁTICA, EU?!!) 

Em se tratando da saúde da mulher, e da mulher negra em especial, existe grande dificuldade em marcar, pelo SUS, consulta para ginecologista e mastologista; o preventivo então! Isso dificulta o diagnóstico precoce de uma doença mais grave.
Falo da minha experiência, para chamar atenção do por que no Brasil tantas mulheres morrem com câncer de útero, ovário e/ou mama.
E o mais interessante é que essas mulheres têm um perfil: são negras e usuárias do SUS.
É só pesquisar no Google para ver os dados do Ministério da Saúde , e dos movientos mulheres.
 
Como no Cartão do SUS não vem especificando  a religião da usuária, tanto a mulher evangélica, espírita, candomblecista, católica, etc, são vítimas do racismo institucional pratcado nesse país.

sábado, 15 de junho de 2013

Professora, a senhora é evangélica e conhece a História da África?!

Olá, pessoas queridas!

Trago um relato ocorrido na aula de História Social, quando eu procurava analisar, juntamente com a turma do 6º/7º anos da EJA, o tema Identidade Cultural.
Ao falar sobre a influência africana na construção da identidade cultural do Brasil, dois educandos começaram a me olhar de forma inquisitora, e uma educanda já foi logo me perguntando qual era o nome do "terreiro que eu frequentava";  pediu que eu levantasse as mangas da minha blusa para mostrar os cortes no meu braço, e ainda foi mais longe: disse que eu tinha tirado o mega para fazer alguma obrigação. Sinceramente não me assustei, e perguntei tranquilamente por que ela "achava que eu era candomblecista. Então ela e outro colega começaram e dizer que eu conhecia demais sobre a cultura africana. A coisa foi ficando mais interessante quando eu falei algumas palavras em iorubá e expliquei que os Terreiros de Candomblé guardaram muitas tradições africanas. 
Ai foi que eles não aguentaram e começaram a repetir: Essa professora é da macumba, essa professora é macumbeira!!!!
Rsrsrsrs
Expliquei que eu não era candomblecista, mas uma pesquisadora da história africana no Brasil, e que estava colocando em prática uma Lei Federal de nº 10639/2003, onde diz que devo Ensinar a História Africana e Afrobrasileira na sala de aula. Falei da importância de conhecer minha história/ancestralidade enquanto uma negra diaspórica.
Então, de imediato eles disseram: então a senhora é evangélica! E ficaram meio que assustados.
Foi quando a aluna perguntou: Professora, a senhora é evangélica e conhece a História da África?
KKKKKK

Achei esse episódio fantástico!

Imaginem uma professora batista ouvindo isso!!!! 
Então, pesquisar sobre minha história me tira do lugar de crente em Jesus Cristo? Não. Ouvindo isso dos meu alunos, me deixa mais confiante de que Deus tem me 'conduzido pelas veredas da justiça, por amor do seu Santo Nome'.

Por que conhecer um pouco mais sobre o Continente Africano tem que ser do Candomblé?
Interessante é que quando me decidi por Missões Mundiais, nunca me imaginei indo para a África. Já pensei em ir até para o Canadá(cheguei a enviar carta e tudo para a Junta de Missões Mundiais da CBB).
As vezes me "batia umas crises" por nunca ter insistido em viajar para um campo missionário em outro país.
Mas hoje entendo o plano de Deus para minha vida: meu campo missionário é nos "bolsões africanos" existentes no Brasil.

Mais uma vez penso que nós batistas, presbiterianos, assembleianos e de outras denominações, precisamos avançar em nossas pesquisas no que se refere a História da África, a partir da nossa realidade e não sob o pensamento de missionários europeus e norteamericanos do século XIX, que escreveram sobre nossos ancestrais africanos, e que até hoje se prega nos púlpitos sobre uma África demonizada. Isso faz com que nós, negros evangélicos, tenhamos um quase desconhecimento sobre nossa história, nos impossibilitando de avançar nas reflexões sobre questões raciais no Brasil.

"E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ."( João 8.32)

domingo, 2 de junho de 2013

A AUSÊNCIA DE APRESENTADORES NEGROS NAS PROGRAMAÇÕES EVANGÉLICAS DA TV BRASILEIRA.

Olá, pessoas queridas!

Tenho andado um pouco atarefada, por isso a minha ausência. Também estava acompanhando o desfecho da novela "Marcos Feliciano e suas declarações tolas."
Mas eu não vou falar sobre isso.

Minha reflexão vai para a ausência de apresentadores negros, principalmente de apresentadoras negras em programas evangélicos nos canais de tv abertos e fechados. Seja em telejornais ou em programas de auditório, precisamos questionar junto aos donos/diretores dessas emissoras, sobre o por que de não contratarem negros/negras para trabalharem na frente das câmeras.
Costumo dizer que o racismo não respeita barreiras. E no meio evangélico ele é mais perverso, pois se utiliza da Bíblia para legitimar o proconceito racial.
Porém, creio no Evangelho que liberta: "Se pois o Filho do Homem vos libertar, verdadeiramente sereis livres."(Jo 8:36); e no Deus que não faz acepção de pessoas(Atos 10.34)

Há alguns anos atras, particpando de um seminário onde se falava sobre o protestantismo afroamericano, o palestrante trouxe a informação de que os negros escravizados, quando começaram a ler a Bíblia no livro de Êxodo, entenderam que Jesus era o Moisés que os tiraria do jugo da escravidão. Fiquei maravilhada com tal relato.
Hoje, também entendo que Cristo tem me libertado de todo e qualquer jugo que tenta me oprimir, enquanto gênero e raça.

A  revista Raça Brasil, de abril/2013, trouxe como reportagem principal: JUVENTUDE NEGRA EVANGÉLICA, onde mostra o número significativo de jovens negros que têm se declarado evangélicos e alguns dos principais cantores gospel, que não por acaso, são negros.
Mas ai lanço a pergunta: como sempre o negro só se destaca na música ou nos esportes?
Como eu escrevi anteriormente, precisamos ficar atentos, pois tal realidade reforça o racismo isntitucional. Então, também no "nosso meio" o negro não tem voz de mando? Não é inteligente o suficiente para apresentar um programa de entrevistas/entretenimentos ou mesmo um telejornal? Quais referênciais nossos jovens negros evangélicos têm? Ai um irmãozinha ou uma irmazinha, vão dizer: "Mas que besteira parar para falar sobre isso! É melhor ir pregar o evangelho!"
Ai eu respondo: "Os negros também querem pregar o Evangelho  na tv. Por que só os irmãozinhos brancos podem fazer isso?
Ah, por favor, não me venha falar de um determinado pregador negro que tem programa na tv. Ele não se encaixa nessa reflexão.
Agora vamos falar de  mulheres negras evangélicas, onde elas estão? Essas devem ficar mais atentas ainda, pois no seu caso, o racismo vem disfarçado de amor. Somos todas irmãs em Cristo, nos abraçamos, nos congratulamos, mas na ora de ocupar um cargo de chefia, não estaremos juntas. Principalmente se esse cargo for para apresentar um programa de televisão.
Precisamos estar atentos e atentas à todo e qualquer ato que nos exclua enquanto sujeitos protagonistas da História do Protestantismo no Brasil.

"E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ." (Jo. 8.32)