terça-feira, 4 de março de 2014

MARÇO MULHER: Reflexões Possíveis

MARÇO MULHER/2014


CONVIDO VOCÊ À PARTICIPAR DO MARÇO MULHER: Reflexões Possíveis

                               Esse é mais um projeto que Deus nos permitiu construir.











terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

PEÇA PARA JESUS MUDAR SEU CABELO

Pessoal, essa eu tinha que compartilhar U R G E N T E M E N T E!!!!!


Hoje eu vivi algo inusitado referente ao meu cabelo.
Talvez você esteja pensando: "ela só fala desse negócio de cabelo".
As vezes eu também me sinto cansada desse assunto.
Porém, parece que tem algo que me coloca nessas situações.

Então vamos lá para "mais essa" do meu mundo crentês.

Estava eu hoje, 11/02/14, entrando para uma reunião de trabalho quando uma senhora de uns 60 anos, parou na minha frente e começou a falar pra mim:

_ Deus te ama do jeito que você é.
Eu respondi: 
_Amém!
E ela continuou a falar:
_ O Deus a quem eu sirvo te ama e pode mudar sua vida.

Eu respondi:
_ Eu sei disso pois Ele mudou a minha vida há 23 anos quando O aceitei como Senhor e Salvador .
Então nos apresentamos: eu como batista e ela da Assembléia de Deus.

Eu já estava começando a me emocionar "achando" que aquela irmã poderia ser um vaso que Deus usaria para me dizer alguma mensagem especial. Foi quando, para minha surpresa, ela disse:

_ Peça a Jesus para mudar seu cabelo.
_Como?!!! 
Eu perguntei sem entender nada.

E ela continuou:
_Leia a Bíblia e veja o que Deus tem à lhe falar sobre o seu cabelo.
_ Mas o que tem meu cabelo? Eu perguntei.
_ Leia a Bíblia que Deus vai lhe falar.
_ Tem alguma demais no meu cabelo? Eu insistia em perguntar.
_É a cor ou a textura? Como a senhora acha que meu cabelo deveria estar?
E ela passando a mão no próprio cabelo, que estava alisado e preso com uma fivela, demostrou como eu deveria deixar meu cabelo.

Sinceramente, eu não acreditei no que estava acontecendo.
Então lá fui eu "tentar" explicar aquela irmâzinha porque algumas mulheres negras gostam de usar o cabelo natural. Que Deus nos criou assim. Ela foi logo dizendo que esse tipo de assunto é bobagem.
Também falei que a Bíblia fala de África de Gêneses a Apocalípse. E ela olhava para meu cabelo e não gostava do que via.

Como eu estava com pressa para entrar na reunião, deixei a irmã agonizando no seu medo. Pois ela é negra, deve ter uns 60 anos e desde que nasceu teve sua história de mulher negra, desqualificada.

O mais engraçado foi que no domingo passado, depois da EBD, uma irmã compartilhou comigo o fato de sua neta de seis(06) anos não estar mais querendo vir à igreja depois que uma coleguinha criticou o fato da menina usar o cabelo natural.

Certa vez uma irmã me disse que não deixava o cabelo natural por achá-lo "muito agressivo".

Já aconteceu de eu pegar um ônibus no qual um irmão da minha igreja era o cobrador. Ele fez questão de se levantar para me apresentar ao motorista, dizendo animadamente: "Essa é a irmã do cabelo black da qual lhe falei." Ele também citou o nome de uma jovem usa o cabelo black.

O que vocês acham que eu devo fazer nessas horas? Ficar calada omitindo minha opinião? Ou devo continuar "tentando" fazer a reflexão com as pessoas, principalmente com as mulheres negras evangélicas?

Percebo que existe uma demanda muito grande dentro das Igrejas Evangélicas, referente a temática racial. Principalmente a questão da estética negra: cabelo e roupas.

Me ajudem nessa!!!!

Que  Senhor Deus, em nome de Jesus, tenha misericórdia de nós, povo negro e não negro.


Gicélia Cruz


Atualmente meu cabelo está assim(foto tirada em 09.02.2014)


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O aluno evangélico e a Exposição Panáfrica

Compartilhando mais uma do meu "mundo crentes".
 
Certa vez fui à exposição PANÁFRICA com um grupo de alunos. Lá chegando, logo na recepção, nos deparamos com uma imagem masculina onde o falo, além de está exposto, era muito grande. Isso, é claro, causou um certo espanto e brincadeiras entre os jovens. Mas todos entraram no espaço onde realmente a exposição estava acontecendo. Porém, percebi que um aluno apresentava certa resistência em adentrar no referido espaço, e que o outro professor conversava com ele. Então pensei comigo: já sei. Esse menino é "um dos nossos". Rsrsrs
 
Me aproximei dos dois e perguntei o que estava acontecendo. Foi quando o professor me falou que o jovem não queria participar da atividade. E foi ai que entendi o significado da palavra PRECONCEITO(mas você pode chamar de Preconceito religioso ou Intolerância Religiosa).
 
Eu perguntei ao aluno(um jovem negro):
_Por que você não quer adentrar ao espaço da exposição? Por acaso você está pensando que aqui é um espaço religioso? E ele me olhou desconfiado... 
Eu continue a indagá-lo:
_ Você acha que isso aqui tem a ver com candomblé? E ele balançou a cabeça afirmando que sim.
E eu continuei:
_ E se eu lhe disser que na África não existe candomblé? Ai agora eu não tinha só o aluno espantado, mas meu colega também. E prossegui:
_ E se eu lhe disser que candomblé é uma religião brasileira? E os dois, aluno e professor, responderam: E é?!!!
 
Então, em alguns minutos, eu "tentei" explicar um pouco do porque o candomblé ser uma religião afro-brasileira; a importância daquela exposição para nós, negras e negros da diáspora africana, pois a partir dali teríamos conhecimento da nossa história e dos nossos ancestrais; e de como aquele momento seria significativo para  termos contato com a cultura africana, coisa que seria muito difícil se dependêssemos de uma viagem à África para conhecer tudo aquilo.
 
Também falei de como a história do povo negro foi mal contada e muitas vezes omitida, para que não tivéssemos orgulho da nossa história, e assim não termos identidade racial e valorizássemos outras culturas que não a nossa.
 
Assim, o jovem foi "desengessando" e, finalmente, participou de toda atividade.
 
Eu sai dali com o objetivo de fazer um projeto onde apresentaria a diversidade cultural e religiosa do Continente Africano para toda a turma, e assim refletíssemos sobre quanto preconceito religioso é prejudicial à sociedade.
 
E a minha fala é: você pode até discordar doutrinariamente, mas tem que respeitar a fé do outro/outra.
 
 
E CONHECEREIA A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ(Jo 8.32)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Sobre o texto "Professora a senhora é evangélica e conhece a História da África"

Gente, sinceramente, eu nunca imaginei que esse texto fosse causar tanta repercussão.
Eu simplesmente quis compartilhar com vocês mais essa experiência enquanto professora e batista . Mas para minha surpresa, no mês de novembro, vi meu texto "bombando" nas redes sociais. Rsrsrs

Tenho lido vários comentários, com várias críticas. Umas parabenizando minha atitude, outras não.
Quem leciona à noite sabe que o tempo é curtíssimo, e que não dá para  fazer prolongada discussão sobre determinadas questões; e nesse caso, em particular, como o tema da unidade foi Diversidade Histórica e Cultural, tivemos outras aulas para abordar a diversidade religiosa do negro.
Uma das características do educando da EJA, é que uma boa parcela se diz evangélica. Então eu tenho sérias dificuldades em falar sobre temáticas raciais e religiosas. Quem é protestante/evangélico, sabe que são "assuntos" não muito bem vindo no "nosso meio".

Eu sei exatamente qual foi o objetivo das missões protestantes no Continente Africano, e também suas consequências.  Há uns três(03) anos comprei o COMENTÁRIO BÍBLICO AFRICANO, onde teólogos e teólogas africanos, explicam a Bíblia a partir da cultura africana.

O bom disso tudo é que consegui provocar uma discussão sobre a aplicação da Lei 10.639/03 na sala de aula, por  uma professora batista.

E vamos compartilhar outras experiências.

GICÉLIA CRUZ

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

UM 2014 ABENÇOADO PO DEUS




OLHO PARA OS MONTES E PERGUNTO:
"DE ONDE VIRÁ O MEU SOCORRO?"
O MEU SOCORRO VEM DO DEUS ETERNO, QUE FEZ O CÉU E A TERRA.
ELE NÃO DEIXARÁ QUE VOCÊ CAIA, POIS O SEU PROTETOR ESTÁ SEMPRE ALERTA.
O PROTETOR DO POVO DE ISRAEL NUNCA DORME NEM COCHILA.
O DEUS ETERNO GUARDARÁ VOCÊ; ELE ESTÁ SEMPRE AO SEU LADO PARA PROTEGÊ-LO.
O SOL NÃO LHE FARÁ MAL DE DIA, NEM A LUA DE NOITE.
O ETERNO O GUARDARÁ DE TODO PERIGO; ELE PROTEGERÁ SUA VIDA.
ELE O GUARDARÁ QUANDO VOCÊ FOR E QUANDO VOLTAR, AGORA E PARA SEMPRE.
(Salmos 121)


Senhor, muito obrigada pelas bênçãos à mim dispensadas durante o ano de 2013. Também agradeço pelas lutas, pois em todas o Senhor me deu vitória. Até no finalzinho de 2013, o inimigo "tentou" macular minha imagem na área profissional, mas o Senhor agiu em minha defesa. Desde 2012 o Senhor tem permitido que eu conheça o que "realmente" significa inveja e falsidade, e o que as pessoas são capazes de fazer para prejudicar outra. Mas o "meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra".

Quero agradecer também por cada pessoa que visitou meu blog. O Senhor sabe que eu não esperava ter tantos acessos;  não imaginava que meus escritos tivessem tanta repercussão.
Recebo muitos elogios, mas também críticas. Isso é bom. Se bem que, eu faço desse blog, um pequeno diário do que vivo no meu "mundo crentês" e também na sala de aula enquanto professora.
Desde o inicio falo que o que eu escrevo não passa por nenhuma orientação acadêmica.

As vezes fico pensando:
Como pessoas do Leste Europeu se interessam pelo  que  eu escrevo?
Alguém na África,  Europa, Estados Unidos também lê. No início fiquei surpresa, depois  vi que a "coisa" foi tomando forma, e fiquei um pouco assustada. Para mim isso tudo ainda é muito novo, mas continuo arriscando em compartilhar minhas experiências.
Rsrsrsrs

Gostaria de me dedicar mais ao blog. Porém, o trabalho não tem permitido. Mas vamos ver o que vai acontecer em 2014.

Que o Senhor Deus, em nome de Jesus Cristo, continue a nos abençoar com saúde e paz durante todo o ano de 2014.

E CONHECEREI A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ.(Jo 8.32)

Gicélia Cruz

sábado, 21 de dezembro de 2013

MEU FILHO VAI SER MORENO, NEGRO NÃO!

OLÁ, PESSOAS QUERIDAS!

DEVIDO A EXTENSA CARGA DE TRABALHO, POUCO ESCREVI DURANTE ESSES ÚLTIMOS MESES. MAS AGORA, COM O RECESSO ESCOLAR,  VOLTAREI A ESCREVER SOBRE MEMÓRIAS/EXPERIÊNCIAS DA MINHA VIDA CRENTÊS E TAMBÉM DA SALA DE AULA.

 A EXPERIÊNCIA ABAIXO É DA SALA DE AULA..

Essa semana, conversando com uma aluna, cujo filho de uns dois meses de idade estava em seu colo, fiz o seguinte elogio: esse menino está um negro lindo! Brinquei também dizendo que "quando crescer, o black dele vai abalar!"
Ai vem a resposta da mãe: Professora, se Deus quiser,  meu filho vai ser "moreno".
Então eu disse: mas minha filha, seu filho já é negro. Mas ela insistia em dizer que quando crescesse, o menino "ficaria moreno".

Eu vi no rosto daquela jovem mãe(ela tem um tom de pele clara), o desespero de ter mais um filho negro, mesmo sendo casada com um homem negro.
Fiquei muito triste e também preocupada com aquela reação de negação; de pavor do SER NEGRO.
Por já ser final de ano( eu estava muito cansada e também foi o dia da troca de presentes entre os/as professores/as), eu, sinceramente, não tive ânimo para conversar com essa mãe do jeito que eu gosto.

Se bem que, durante todo o ano, tive dificuldade em trabalhar questões como identidade racial na sala de aula, pois percebia que os moradores desse  município têm certa dificuldade de se reconhecerem negros. Aplicar a Lei 110639/03 nesses espaços de saber, deve ser nossa meta. Pois desconstruir anos de negação é uma tarefa árdua. Só dois semestres de aula não dão conta de tanto estrago feito nas mentes colonizadas.

OBS:  Eu sou professora de história da EJA, numa cidade do Recôncavo Baiano. Devido ao longo período da escravidão,  a população negra nessa região, chega a quase 100%.

GICÉLIA CRUZ