quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Vou voltar

Olá, pessoas queridas!
Tudo bem com vocês?
Já faz um tempão que não escrevo nada aqui no blog.
Deixem eu me explicar: em 2017 eu me dediquei aos estudos para passar no mestrado e graças à Deus, eu consegui. Agora em 2018, foi uma loucura para administrar o tempo entre trabalho - mestrado e as palestras...Ai,ai, ai...

Mas sinto falta de escrever e compartilhar minhas experiências com o "mundo". Sim, porque tem uma galera da Rússia, Indonésia, Estados Unidos, Senegal, dentre outros países, que visita meu blog. Obrigada!!!!!!!
Mas breve, volto a escrever. Deixa só passar "esse negócio de escrever artigos" que são exigidos por cada disciplina estudada.
Ser uma mulher madura e viver essa dinâmica acadêmica é estranhamente estimulante e me renova.
Outro dia uma leitora do meu blog pediu para eu não parar de escrever.
Vou voltar...Bjs.

sábado, 8 de outubro de 2016

EXPERIÊNCIAS COM ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL I(Lei 10639/03)

Olá, pessoas queridas!
Tudo bem com vocês?

Tenho demorado um pouco para escrever, porque as demandas de preparação para as palestras, aumentaram. Também tenho tido experiências libertadoramente emocionantes.
Hoje quero compartilhar algumas experiências que tive ao falar para estudantes do Ensino Fundamental I. Coisa que até então "achei" que seria complicado, visto que sempre falei para adolescentes, jovens e adultos. Mas que nada, a vida tem me mostrado que para falar sobre desigualdades(racial e social), não tem idade e eu tenho aprendido muito com essas crianças, pois me vejo em cada rostinho e lembro da minha infância de menina preta e pobre nascida e criada no bairro de Cosme de Farias  e  também vivida no bairro do Engenho Velho de Brotas.

OBS: por uma questão de estatística, que mostra serem as mulheres(mãe, avó e tias), as principais responsáveis pelas/os estudantes, então só usarei "as responsáveis".
Você entende, né seu moço?
Rsrsrsr

1ª EXPERIÊNCIA: No mês da Consciência Negra, fui convidada para falar às responsáveis das/os estudantes de uma escola do Fundamental I, na Ilha de Maré. Lá chegando, fui informada de que o público alvo seriam as/os estudantes, pois, de última hora, suas responsáveis foram convocadas para uma reunião com a liderança local.
Meu Deus, como assim?!!! Eu me preparei para falar às mulheres negras!! Eu vou fazer o que agora?!!
A  minha amiga que tinha me convidado, disse: "Nega", se não der para fazer, a gente dá o lanche deles e depois os manda para casa.
Quando entrei na sala e vi meninas e meninos do 1º ao 5º ano, eu orei e agradeci ao Senhor pela oportunidade de estar ali naquele momento. Lembrei de um vídeo que fiz só  com fotos de crianças negras, usando a música Aos olhos do Pai(Diante do Trono), e também um material que fiz depois da experiência que tive com um aluno na Exposição PanÁfrica(postado aqui em junho/2014).
Quando coloquei o vídeo com a música, surgiu um verdadeiro coral, pois todos conheciam a letra e, emocionada, vi os olhinhos delas/es brilharem ao ver àqueles crianças negras na tela improvisada Tenho certeza de que se viram representadas. Logo após a exibição do vídeo, falei sobre o Continente Africano e sua importância para a formação do povo brasileiro. Incrível como prestaram atenção à minha fala e respondiam as minhas perguntas. Saí dali com uma sensação gostosa de dever cumprido.

Resultado: ali eu vi um número expressivo de crianças evangélicas e que é possível sim aplicar a Lei 10639/03. Eu fui proselitista e intolerante com as/os estudantes que professam outro tipo de religião? NÃO!!!! No meu projeto, mostro a diversidade cultural e  religiosa existentes no Continente Africano com seus 54 países;  aqui no Brasil mostro a contribuição cultural e religiosa da população negra para a formação da nação. Inclusive o candomblé enquanto um espaço de resistência e preservação de elementos africanos.

2ª EXPERIÊNCIA: junto aqui experiências distintas vividas em duas escolas também do Ensino Fundamental I. Um momento foi sobre o 25 de Julho Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha e no outro momento foi para falar sobre a autoestima da criança negra.
O que eu ouço muito é: Professora Gicélia, os meninos e meninas colocam apelido um no outro e se a menina for bem pretinha, ela sofre mais ainda.
Nos dois momento convidei, bem carinhosamente, duas meninas negras com tons de pele diferente para virem à frente e mostrei a beleza da cor da pele de cada uma, os traços e o cabelo.Em um dos casos, a menina que tinha a pele mais clara, se assustou quando a chamei de negra(ela olhou para o braço sem acreditar no que estava ouvindo), já ade pele mais escura, nem levantava a cabeça.
Num outro momento, ao perguntar se na novela Carrocel tem criança negra,um coral respondeu que SIMMMMM!!!
E quem é? CIRILO!!!!
E tem menina negra? NÃO!!!!!!
E foi ai que uma vozinha respondeu: tem sim, pró. É Laura.(a que come demais e é romântica). Ela é uma menina negra com a pele clara.
Então, aproveitei esse momento para falar sobre o racismo e de como as mulheres negras são as principais vitimas; inclusive apresentei a pirâmide sócioeconômica no brasil e a posição da mulher negra ali representada.
E continue provocando: A trama da novela acontece numa escola e por quê será que tem poucos negros? Ai veio a resposta que me deixou com a voz embagada e tive que engolir o choro: É por ali é uma escola particular, pró. Responde um menino de 10 anos. Sim, podemos trabalhar as desigualdades de raça e classe na sala de aula.
Nessa mesma turma, em meio às minhas provocações sobre como é ser criança na favela, um menino responde: Tem negro que é vagabundo e também não procura o seu lugar. Merece tomar porrada mesmo!!! Podemos falar sobre o exterminio da juventude negra para o Fundamental I?

Resultado: eu saiu bem mexida emocionalmente e com a certeza de que ainda levaremos algumas décadas para ver essa realidade amenizada. Sim, aplicar a Lei 10639/03, é nosso dever. Qualquer profissional da educação de que declara evangélico, comete pecado por deixar essas crianças sem acesso a informação que as libertará do jugo do racismo.(Tg 4.17)


Gicélia Cruz



domingo, 19 de junho de 2016

A PRETA RETINTA NÃO TEM AUTORIDADE PARA FALAR

Olá, pessoas queridas!


Inicio essa postagem já falando sobre o termo Preta Retinta. É que minha cor na certidão de nascimento, está "PRÊTA". Portanto, ao nascer, ninguém teve dúvidas sobre a cor da minha pele e eu também não.
Kkkkkkk


Gostaria de compartilhar algumas experiência dessa minha fase de palestrante.
Confesso que tem sido interessantemente desafiador esse momento da minha vida. Sinto Deus direcionando meus passos ao encontro de um público sedento por ouvir, dentro e fora da Igreja, que por Ele ser perfeito, criou o Continente Africano para dar inicio à sua criação, e que, portanto, o povo negro é abençoado de Gêneses à Apocalípse.
Chamado missionário diferente esse...Rsrsrsr
Ao ser convidada para falar em escolas, faculdades e algumas igrejas, a experiência é sempre impactante e enriquecedora. Só que começo a observar que minha fala sempre incomoda algum ouvinte(o que é normal), que procura desautorizar o que eu falo, ainda que eu esteja embasada com dados fornecidos por instituições públicas e privadas de referência.
Também observo que são sempre pessoas que têm um tom de pele mais clara, o chamado pardo. Pode ser homem ou mulher.
Já tive situação diferente onde um professor e uma aluna interromperam  minha fala por um tempo e disse que iria embora, pois discordava de tudo o que estava sendo exposto, já que eu falava sobre a diversidade religiosa no afrodiaspórico. Nas duas situações eu pedi, pacientemente, que  se retirassem porque precisava dar continuidade ao trabalho.
Em outra situação fui convidada para falar sobre violência doméstica em uma determinada igreja evangélica. Foi então que uma irmã identificando-se como branca(SQN), e fez questão realizar "quase" a palestra no meu lugar. Quando finalmente foi cedida minha fala, abordei os tipos de violência simbólica que nós mulheres estamos passíveis de sofrer, inclusive as mulheres evangélicas; que existe a Delegação de Atendimento à Mulher e o disque 180 para denúncia de violência doméstica. Para minha surpresa, quando terminei a palestra, a referida irmã pediu mais uma vez um momento para falar e disse que mesmo quando as irmãs sofressem algum tipo de violência, deveriam primeiro buscar orientação de Deus antes de tomar qualquer decisão. Percebi então que ela queria ter a última palavra ainda que fosse para desconstruir o que eu tinha falado.
Também tenho enfrentado reações machistas de alguns irmãos que não aceitam de bom grado minha fala sobre gênero e raça. Já ouvi de um irmão que acha errado uma mulher evangélica ser feminista.
Então eu pergunto: eu não posso falar sobre violência doméstica, Lei Maria da Penha, a cultura do estupro no Brasil? Não posso pensar e falar sobre o extermínio da Juventude Negra, a mortalidade materna que acomete mais as mulheres negras(segundo dados do Ministério da Saúde)?
Não posso falar em público?
Mas também existem os não-evangélicos que as vezes têm a mesma postura.
Irmã, essa sua fala é de coitadinha, é de vitimização; que tudo é racismo. Estou sempre ouvindo isso...
Só lembrando que negro não pode ser racista, pois racismo tem a ver com relação de poder. 

Na verdade, começo a perceber que algumas pessoas se sentem incomodadas porque não é qualquer negra que está falando. A cor da minha pele é quase o último tom na escala degradê...Rsrsrsr (Intelectuais Negras - Bell Holks)

O que essa "nega preta" está achando que é para falar assim?!!
Hummm...

Também sei que sou o espelho que essas pessoas evitam olhar, pois reflito a imagem que elas tentam apagar da memória por diversos motivos. Talvez por isso procuram desautorizar o que falo.

Certa vez ouvi de um colega de escola: _Gicélia, se você tivesse nascido no período da escravidão, não sairia do tronco.(Ele era sarará). Isso porque sempre externei minha opinião sobre os assuntos abordados pelos professores na sala de aula. Também foi nesse período que pela primeira vez tive uma fala minha impressa nas provas da disciplina de sociologia do curso de magistério. Lembrei disso essa semana.
Sei das chicotadas simbólicas que recebo até hoje...

Obrigada Senhor Jesus, por ter escolhido exatamente esse tom de pele para mim e por estar me sustentando com saúde e sabedoria para fazer a tua obra.


Gicélia Cruz

Eu sou preta e bela, ó filhas de Jerusalém.(Ct 1.5)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

MINHA CAMINHADA DE FÉ NA DIÁSPORA AFRICANA

Olá, pessoas queridas!

Estive um pouco ausente devido alguns compromissos pessoais, mas com saudade de escrever sobre algumas reflexões que vocês sabem, gosto de fazer e compartilhar.
Eu passei a ter um interesse pela temática Diáspora Africana e procuro estar sempre pesquisando sobre a situação do negro onde quer que ele esteja fora de África. Percebo que as dificuldades são as mesmas: a invisibilidade do negro na América Latina; como os jovens negros nos EUA morrem de forma violenta, assim como o boicote ao Oscar/2016 por atrizes e atores negros, pela total ausência dos mesmos nas indicações para o prêmio.
Aqui no Brasil  vivemos numa luta constante. Nós mulheres negras estamos na base da pirâmide social, ganhamos 40% do salário do homem branco. Importante lembrar que as negras evangélicas também estão incluídas nessa estatística. O nosso credo religioso não nos torna melhores que as espíritas, candomblecistas, umbandistas e católicas que se auto-declaram negras e pardas, pois o racismo é estrutural, ou seja, "não nos libera". 
O extermínio da juventude negra é o que mais me corta o coração. O histórico de pobreza que muitas vezes leva o jovem negro à vulnerabilidade social e  risco; o histórico de repetência escolar, que leva à distorção idade/série e, consequentemente, ao abandono definitivo da sala de aula; que leva ao mercado de trabalho informal(mão de obra barata); que leva ao crime; que leva à morte. Mas sabemos também que basta ser negro e morar na periferia ou não, para ter sua sentença de morte já assinada. Também percebo que eles geralmente são criados por mulheres negras que sustentam seus lares sozinhas: mães, avós, tias. Quando elas perdem seus meninos, eu me pergunto: quem dá o suporte psicossocial à essas mulheres? Por uma questão genética, já são hipertensas; as vezes também vem a depressão. A mídia sensacionalista não respeita a dor da família ainda mais fragilizada, e as expõem sem dor nem piedade.Quem cuida dessa família?
Muitas dessas mulheres encontram em Cristo e na sua Palavra o alívio para  dor de ter perdido seu menino, e não é a toa que elas estão todos os dias participando de cultos e campanhas na igreja, pois, certamente, ali passa a ser um espaço terapêutico onde elas podem orar em voz alta, chorar, louvar e voltar mais aliviada para sua casa.
Mas  muito me preocupa também é o silêncio das igrejas sobre o extermínio desses jovens. E me pergunto: Senhor, até quando passaremos de largo ou por cima desses cadáveres? Quando usaremos de misericórdia e justiça? O que entendemos ser o nosso próximo? 
Durante minha caminhada de fé, levei um tempo me questionando por que não fui para o campo missionário como outras mulheres foram, já que fiz o curso de teologia com esse objetivo. Hoje entendo que Deus preparou um campo missionário diferente para mim. O Senhor me chamou, me capacitou e me deu o sentimento de pertença quando me fez entender o que é ser mulher e negra na Diáspora Africana; Ele tem me mostrado uma África particular aqui no Brasil ao me dar a tarefa e o privilégio de trabalhar com mulheres e jovens negros. Esses últimos, minha grande paixão. Trabalhando com eles e para eles, percebo o quanto o racismo é perverso. 
Sinceramente, hoje eu não consigo fazer uma leitura bíblica dissociada da minha realidade. 
(Lucas 10.25-37)

Gicélia Cruz

sábado, 4 de julho de 2015

A FARSA DA DEMOCRACIA RACIAL ESTÁ DESMORONANDO

Olá,  pessoas queridas!

Estou achando ótimo ver a farsa da democracia racial sendo desmascarada quando todos os dias surgem casos de ataques racistas contra algum negro quer seja  da mídia ou não. Desde criança já percebia a diferença entre ser negro e branco no Brasil, pois nasci na década de 60, no bairro majoritariamente negro de Cosme de Farias, onde quem tinha um pouquinho mais de condição financeira, eram os que  tinham o tom da pele mais clara. Minha mãe era empregada doméstica e me orientava sobre a importância de estudar; dizia não querer que eu repetisse sua história, para não passar o que ela passava na casa do branco(era assim que as mulheres negras e domésticas se referiam aos seus patrões; também, há mais de quarenta ano atrás,  não existiam direitos trabalhistas para o trabalho doméstico, então imaginemos o que elas deviam passar...).   Minha adolescência foi marcada pela leitura, além de ser muito ligada aos programas de televisão e novelas. Então aprendi o significado dessa diferença entre negros e brancos: segregação racial.
Ao longo dos anos e, principalmente depois que me formei em História, eu só fiz colocar as referências biográficas nas minhas reflexões.  
Pensem bem: um país que por 400 anos viveu  em regime escravocrata (sim, porque até 1910, os marinheiros eram tratados como escravos- lembremos de João Cândido e A Revolta da Chibata), construiu uma sociedade estruturada sobre racismo. E esse tema  deveria ser pauta diária nas instituições de ensino; nos espaços religiosos,  etc. Ou então negros e brancos, continuarão  surpresos quando se depararem com casos de racismo no seu dia a dia.
O período da escravidão,  sempre foi um assunto que "eles" fizeram questão de tirar do currículo escolar para nos alienar e assim crescessemos achando normal nossa condição social. Entrávamos  e saíamos da escola sem conhecer nossa verdadeira história(ainda bem que temos hoje a Lei 10639/03 que tem procurado minimizar essa lacuna histórica).  
Penso que é por isso que vejo tanto negro surpreso com o caso mais recente de racismo, agora contra a jornalista Maria Julia Coutinho. Leio alguns comentários no Facebook,  onde negras e negros falam que estão chocados com os comentários racistas contra a jornalista.  E eu me pergunto: por que eles estão chocados, meu Deus? Será que nunca leram nada sobre o período da escravidão no Brasil?  Ou sobre o extermínio da juventude negra, sobre a doença Anemia Falsiforme, que por dezenas de anos matou milhares de negros, por falta de pesquisa mais apurada na área da Saúde da população Negra? , E sobre o analfabetismo e seus principais atores? E sobre o processo da Escravidão Contemporânea : qual o perfil do escravizador e do escravizado? Será que nunca leram nada sobre Racismo Institucional?  E na faculdade,  quais foram seus referenciais teóricos?   Já sei: a maioria europeus. 
O pior é quando ouço ou leio: como ainda existe racismo no Brasil?!! Sinceramente, eu não sei de que lugar eles falam.
Recentemente, conversando com algumas vizinhas, comentei que a maioria das casas de nossa rua, foram construídas por mulhere chefes de família. Elas ficaram surpresas quando fiz essa observação. E quando, para completar, fiz o recorte racial, dizendo que, coincidentemente, eramos todas negras, eu pensei elas fossem desmaiar de susto!!! Mas depois começaram a sorrir concordando. Detalhe: a maioria era evangélica. Amo meu povo!!!! Rsrsrsrs
Penso que, à medida que nós, negras e negros,  formos avançando nos estudos e ocupando espaços que nos dêem mais visibilidade na sociedade, seremos atacados ferozmente com palavras ou  olhares de desaprovação, por aqueles que, historicamente, sempre foram privilegiados por não serem negros. Porém,  devemos resistir e continuar avançando. Lembremos dos nossos ancestrais africanos que por aqui chegaram há 500 anos e foram forçados ao trabalho escravo. São por eles que devemos prosseguir. São por nossas crianças negras e não-negras que que devemos persistir.
#nãoacasagrandeesenzala#

A MÁSCARA DA FALSA DEMOCRACIA RACIAL ESTÁ DERRETENDO...

"Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados, abatidos,  mas não destruídos". (2Co 4.8,9)

Gicélia Cruz

quarta-feira, 27 de maio de 2015

RODA DE CONVERSA "UM OUTRO OLHAR SOBRE A ÁFRICA"


Um outro olhar sobre a África: seu espaço histórico na Bíblia

Conhecer(-se) e reconhecer(-se) a África que esteve escondida por mitos e distorções: esta é uma tarefa que nos cabe em campos diversos, sob diversas perspectivas.
Roda de Conversa:
"Um outro olhar sobre a África: seu espaço histórico na Bíblia"
Data: 29/05 - 18h 30min.

Local: SINPOJUD - Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado da Bahia
       
End: Rua Marujo do Brasil, 18 - Nazaré
(Auditório fica ao lado do Colégio Central e Sindiquímica)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Compartilhando emoções

Olá, pessoas queridas!

Sinto falta de compartilhar mais sobre minhas experiências, mas a correria do dia a dia não tem deixado.

O texto que compartilho abaixo, foi escrito diretamente no meu Facebook. Seria uma reflexão rápida sobre as fortes chuvas que têm caído aqui em Salvador, nos meses de abril e maio/2015.
Mas o que me chamou mesmo atenção foi a quantidade de compartilhamentos e também a qualidade dos comentários que algumas pessoas fizeram após a leitura do texto . Pois ao externar minha opinião sobre a situação vulnerável de moradia  da população negra, não tinha ideia da repercussão que isso teria.
Confesso que sempre me surpreendo com essas situações. É muita responsabilidade.
Rsrsrs

Que o Senhor Deus tenha misericórdia de mim.

Gicélia Cruz



No que estou pensando?
Estou pensando que mais uma vez todas as vítimas fatais dessa chuva torrencial que caiu hoje em Salvador, são negras. Pois sei, somos nós que habitamos às favelas desde 14/05/1888. Não temos condições financeiras para contratar um engenheiro, seu moço. Mas me responda uma coisa: se a construção é irregular, por que há legalização de água e luz? Hummm...
São sempre os rostos pretos que aparecem chorosos e sofridos nas imagens da televisão, lamentando a perda do pouco que tinham, ou porque um ente querido morreu na tragédia.
Então a dor, o sofrimento e o choro continuam sendo nossos quando a juventude negra está sendo exterminada; quando as encostas deslizam e levam nossas casas e algumas vidas; quando o analfabetismo e desemprego continuam nos colocando numa situação de vulnerabilidade social.
Certa vez, participando de um evento, terminei colocando o belíssimo vídeo da música A carne, interpretada por Elza Soares. Porém, uma colega me criticou dizendo que não achava certo mostrar aos alunos imagens de navio negreiro. Hummm...
A carne mais barata do mercado é a carne negra...



No que estou pensando?
Estou pensando que mais uma vez todas as vítimas fatais dessa chuva torrencial que caiu hoje em Salvador, são negras. Pois sei, somos nós que habitamos às favelas desde 14/05/1888. Não temos condições financeiras para contratar um engenheiro, seu moço. Mas me responda uma coisa: se a construção é irregular, por que há legalização de água e luz? Hummm...
São sempre os rostos pretos que aparecem chorosos e sofridos nas imagens da televisão, lamentando a perda do pouco que tinham, ou porque um ente querido morreu na tragédia.
Então a dor, o sofrimento e o choro continuam sendo nossos quando a juventude negra está sendo exterminada; quando as encostas deslizam e levam nossas casas e algumas vidas; quando o analfabetismo e desemprego continuam nos colocando numa situação de vulnerabilidade social.
Certa vez, participando de um evento, terminei colocando o belíssimo vídeo da música A carne, interpretada por Elza Soares. Porém, uma colega me criticou dizendo que não achava certo mostrar aos alunos imagens de navio negreiro. Hummm...
A carne mais barata do mercado é a carne negra...

25 DE MAIO DIA DA ÁFRICA

Olá, pessoal!


Mais um projeto da Associação Cultural da Diáspora Africana, em comemoração ao Dia da África.



sábado, 7 de março de 2015

O escândalo da Petrobrás e a Questão Racial

O escândalo da Petrobrás e a Questão Racial


Tenho observado que em meio a tudo o que se tem divulgado sobre a Operação Lava-Jato, até o momento não apareceu nenhum personagem negro. Ai eu comecei a me perguntar: por que será, já que somos a maioria da população? Então vamos pensar um pouco:

O negro escravizado, foi responsável pela produção econômica do Brasil. Porém, mesmo depois da abolição da escravidão, ele continuou sem direitos civis básicos para exercer com dignidade sua cidadania, como: trabalho, moradia, educação e saúde. Sendo assim, quase nunca ocupou espaços de poder.
Hoje, observo que, independente de partido politico, o racismo institucional barra a ascensão do negro nos altos cargos das estatais. Se você procurar rever imagens da posse de dos presidentes Lula e Dilma, a única imagem de negro que vemos, é a que vai assumir a SEPPIR. E ainda tem gente que me diz: "Gicélia, essa situação já foi pior". E eu fico sem palavras, de tão indignada...

Sendo assim, podemos observar o que várias pesquisas apontam referente a pirâmide socioeconômica brasileira, no quesito cor/raça:


                          
                                           
http://historiaemerson.blogspot.com.br/2013_11_01_archive.html


Os negros não são mais honestos que os brancos, pois se lá estivessem, certamente cometeriam os mesmo atos. Questiono o racismo perverso que assola o Brasil, onde até mesmo nesses momentos vergonhosos, percebemos na mão de quem a economia e, consequentemente o poder, estão concentrados.




Gicélia Cruz


E NÃO VOS CONFORMEIS COM ESSE MUNDO, MAS TRANSFORMAI-VOS PELA RENOVAÇÃO DE VOSSAS MENTES.(Rm 12.2)

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Participando do evento Entrega de prêmio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica (SDH/PR),


Movimento de População em Situação de Rua de Salvador completa três anos. Maria do Rosário é homenageada

http://www.sdh.gov.br/noticias/2013/marco/movimento-de-populacao-em-situacao-de-rua-de-salvador-completa-tres-anos.-maria-do-rosario-e-homenageada



Maria do Rosário é homenageada pelo Movimento de População em Situação de Rua
25/03/2013
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica (SDH/PR), foi homenageada em salvador, na última sexta-feira (22), pelo Movimento de População em Situação de Rua da capital baiana. Na ocasião, o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Gabriel dos Santos Rocha, representou a ministra e recebeu o certificado de gratidão, comenda que marca o aniversário de três anos de fundação do movimento.
Ao receber o certificado em Brasília, a ministra Maria do Rosário agradeceu ao movimento pelo reconhecimento e reafirmou o seu compromisso com a defesa dos direitos desta população. A ministra lembrou que a SDH/PR possui uma secretaria exclusiva para tratar do tema.
Durante o evento, foram debatidos temas relacionados às políticas públicas para a população em situação de Rua no estado e também sobre a história, lutas e desafios do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR).
Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial – Na quinta-feira (21), ainda em Salvador, a diretora do Departamento de Defesa dos Direitos Humanos, Deise Benedito, proferiu uma palestra sobre o extermínio de Jovens negros e da população em situação de rua. A diretora participou das comemorações do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, comemorado pelo Instituto da Mulher Negra em parceria com o Fórum Nacional de Mulheres Negras e a Rede de Mulheres Pelo Fortalecimento do Controle Social.
Também participaram do evento a Ouvidora Geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, Tânia Palma, a presidente da Comissão da Mulher da OAB, Andréa Marques, a Coordenadora do Movimento Nacional de População em Situação de Rua, Maria Lúcia Pereira, e a Coordenadora do Fórum Nacional de Mulheres Negras, Gicélia  da Cruz.
Assessoria de comunicação Social.

Participando do Projeto Tarde Legal

Banda Eva faz show para alunos da rede municipal no projeto Tarde Legal

Publicada em 24/09/2014 18:53:19
Foto: Divulgação
Duzentos alunos da rede municipal de ensino tiveram uma tarde muito especial nesta quarta-feira (24/9). Os estudantes do 6º ao 9º ano de seis escolas participaram da primeira edição do Projeto Tarde Legal, realizado pela Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico da Secretaria Municipal da Educação - SMED, no Teatro Solar Boa Vista.
O objetivo da ação, que teve como convidado especial Felipe Pezzoni, líder da Banda Eva, é promover debates sobre assuntos do cotidiano dos jovens e proporcionar momentos de cultura e lazer.
Após o bate-papo, os alunos curtiram um show especial do grupo musical. Além do cantor, também participaram da roda de conversa Gicélia Cruz, coordenadora pedagógica de dois projetos educacionais da rede, e Anderson Oliveira, Jovem Aprendiz da SMED.
Todos relataram suas trajetórias e metas futuras, mostrando que mesmo seguindo caminhos diferentes, é possível trilhar histórias de sucesso. Os alunos também participaram do sorteio de dois abadás do Bloco Eva.
Pezzoni relatou que percorreu um longo caminho até chegar ao grupo. “Comecei a cantar muito cedo, mas sempre trabalhei e estudei. Em épocas que não conseguia me sustentar com a música, trabalhei de operador de telemarketing, já vendi tijolos, cursei faculdade de Gestão em Eventos e me arrependi de não ter terminado, porque mesmo sabendo que meu destino é a música, a Educação sempre é o caminho”, disse, acrescentando a preocupação social do Grupo Eva. “Fazemos trabalhos muito bacanas neste sentido, pro isso ficamos muito felizes em participar do projeto”, concluiu.
“Foi uma experiência grandiosa para a história de cada jovem presente poder ouvir pessoas que através de caminhos diferentes, tiveram histórias de sucesso. Os relatos com certeza serviram de exemplos positivos para os jovens. Educação não se faz apenas dentro dos muros das escolas e momentos como este interferem diretamente na sala de aula e na vida desses alunos. Estamos muito felizes com o resultado”, comemorou Edna Rodrigues, coordenadora de Ensino e Apoio Pedagógico da SMED.

Algumas reflexões...

Quero compartilhar algumas coisas que já ouvi sobre questão racial.


  • Certa vez uma amiga me disse: Gicélia, ainda que eu seja solidária com a questão racial, eu jamais saberia realmente o que você passa, pois eu não sou negra. Achei interessante esssa afirmação.

  • Um colega de trabalho me disse que só se percebeu branco, depois que passou a trabalhar comigo. Pois até então, ele tinha a ideia do senso comum de que todos somos iguais; que era beobagem esse negócio de preto e branco. Trabalhando com jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica e lendo estatísticas sobre esse grupo, ele foi percebendo que só trabalhávamos com o público negro.

  • Ou quando estou fazendo palestras onde abordo a questão de gênero e raça, e algumas mulheres não negras insistem em dizer que " as mulheres  brancas e negras, atualmente, estão em situação de igualdade". Então eu mostro que, através de dados do IPEA e IBGE, nós mulheres negras ganhamos 45% do salário do homem branco. 

  • Por trabalhar com juventude, entendo que preciso me informar sobre o que acontece nesse segmento: educação, saúde, segurança, cultura, etc. Mas procuro enfatizar o extermínio da juventude negra. Então, quando sai alguma reportagem sobre o Mapa da Violência no Brasil, as pessoas me dizem: Gicélia, lembrei logo de você! E eu me pergunto: por que será que nossos jovens negros são invisilizados? 

Obrigada, Senhor Deus, por não me deixar conformar com esse mundo que está posto. Mas que eu possa ter minha mente renovada a cada dia para ser útil aos que estão ao meu redor.

Amém!!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

21 de Janeiro: Dia lerância Nacional de Combate a Intolerância Religiosa

Olá, queridas e queridos!

Sumi um pouco, mas espero agora estar mais presente. Foram várias as demandas de final de ano. Além das palestras, também estava coordenando o 2º Seminário Nacional Educadores Evangélicos e Aplicação da Lei 10639/03.
Mas graças à Deus que deu tudo certo.

Mas vamos à reflexão sobre esse dia em que paramos para refletir sobre o não respeito a religião do outro.

E para quem não se lembra, esse movimento intensificou-se quando a Igreja Universal do Reino de Deus, numa atitude altamente desrespeitosa, usou a imagem de uma Yalorixá baiana, para desqualificar os candomblecistas. Eu me lembro que quando li a matéria, sabia que aquilo não iria prestar. E não deu outra. Processo para cima da IURD.

No decorrer das acusações, eu comecei a pensar que, para além da intolerância religiosa, também percebíamos a questão de raça e gênero, pois eles utilizaram a imagem de uma mulher negra para cometer o ato injusto.

Agora também preciso colocar meu pesar, pois já passei por algumas situações delicadas dentro do Movimento Negro, aqui em Salvador.

a) Certa vez fui convidada à ministrar  palestra na Secretaria Municipal da Reparação, sobre o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial(21 de Março). Já na mesa, sentada ao meu lado, uma líder do movimento, procurava à todo tempo desfazer da minha fala(situação super chata). Depois, quando terminei a palestra, o anfitrião me parabenizou, e disse que um amigo dele que era de terreiro, ao chegar e me ver palestrando, disse que não ficaria para o evento, pois não queria ouvir "aquela evangélica falar."

b) Numa aula do mestrado, ao participar da aula eu estava tecendo um cometário, quando o colega, do nada, veio me criticar falando que: "vocês evangélicos pegam nossas iguarias e colocam o nome de Bolinho de Jesus". Eu fiquei sem entender  o por quê daquele comentário fora de contexto. Se fosse no momento apropriado, eu teria dito que a maioria dos negros evangélicos não conhece sua história, e que, portanto, ainda não tem sua identidade racial trabalhada de forma positiva.

c) Em cursos promovidos por órgãos públicos já tive o desprazer de ouvir professores, no meio de um assunto, começar a desqualificar os evangélicos. E lá vou eu me defender no meio de uma sala com mais de 60 pessoas. Óbvio que tinham outros crentes, mas fica todo mundo calado, mas eu não consigo, e faço minhas colocações, inclusive exigindo respeito.

d) Ao participar da abertura de agenda de um órgão público, o dirigente, no auge do seu discurso, diz que, se dependesse dele, "mandava fechar todos os templos evangélicos e transformava num espaço cultural". Quando ele terminou de falar, me aproximei dele, identifiquei-me enquanto mulher negra, batista e do movimento negro, e disse que na platéia também tinham evangélicos, e que suas palavras insultavam a intolerância religiosa. Ele ficou sem graça e me pediu desculpas.

Evidente que ao fazer esses relatos, não estou querendo apagar todos os absurdos que alguns líderes que se declaram evangélicos, já praticaram contra outros credos que não o dele.
Eu sei exatamente qual o discurso de intolerância, muitas vezes agressivo, que já passearam nos nossos arraiais religiosos. Hoje, por medo de serem processados, as práticas do não respeito a diversidade religiosa, tem diminuído, principalmente contra o candomblé.

Mas o que eu quero dizer mesmo é que devemos ter cuidado, pois tenho percebido que o estado, em algumas situações, tem deixado de ser laico, e que muitas vezes utiliza verbas públicas promovendo ações que incitam, também, a Intolerância Religiosa.

Estava com saudades das minhas reflexões....

"E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará". (Jo 8.32)




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

II SEMINÁRIO NACIONAL EDUCADORES EVANGÉLICOS E APLICAÇÃO DA LEI 10639/03




OLÁ, PESSOAL!



CONVIDO À TODAS E TODOS SE FAZEREM PRESENTES  NO II SEMINÁRIO NACIONAL 
EDUCADORES EVANGÉLICOS E APLICAÇÃO DA LEI 10639/03.

O TEMA É: DESCONSTRUIR PARA CONSTRUIR NOSSA IDENTIDADE COM RELEVÂNCIA.

DATA: 28/11/2014(sexta-feira): abertura às 19:00
             29/11/2014(sábado): palestras e oficinas

ACONTECERÁ EM SALVADOR-BA.

LOCAL: IGREJA BATISTA SIÃO( RUA FORTE DE SÃO PEDRO, 68- CAMPO GRANDE(AO LADO DO TEATRO CASTRO ALVES)


No ano de 2012, Deus colocou esse projeto no meu coração, devido a necessidade de nós, evangélicos que atuamos na área de educação e também liderança eclesiástica, pararmos para refletir sobre a Lei 10639/03, dentro das nossas igrejas. Também entendi que seria um marco para a comunidade evangélica no chamado NOVEMBRO NEGRO, quando o Movimento Negro, realiza diversas ações durante todo esse mês, afim de se repensar a história do negro no Brasil, tendo como seu ator principal, ZUMBI.

Em 2013, tivemos nossa primeira edição, e foi exitosa. Agora estamos partindo para a segunda, e esperamos alcançar mais pessoas.

Criamos um site para inscrição: http://decodeddesigner.wix.com/seminarionacional

O email é: evangelicoslei10639@gmail.com